Ezequiel Fagundes - Estado de Minas
Publicação: 28/12/2010 06:34 Atualização: 28/12/2010 07:22
No rastro dos crimes financeiros, no entanto, a PF descobriu um caso clássico de corrupção na cidade. Márcio Tupy foi indiciado por formação de quadrilha, concussão, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Já Sandro Lima, por extorsão, formação de quadrilha e tráfico de influência.
Além dos dois ex-secretários, a investigação atinge um empresário, um advogado, um engenheiro e o prefeito Carlos Roberto Rodrigues, o Professor Carlinhos (PT), que foi indiciado por formação de quadrilha e prevaricação. Para a PF, o petista acobertou o golpe.
Alvo principal da operação, o empresário João Carlos Ferreira Martins, dono da firma de cosméticos Lacquaderm, é acusado de ter pago propina para Márcio Tupy e Sandro Lima. Em troca dos valores, a dupla intercedeu junto à prefeitura em favor do empresário. O objetivo dele, segundo a PF, era conseguir a emissão de uma certidão de habite-se para a Lacquaderm e o asfaltamento da Rua Quebec, no Bairro Jardim Canadá, onde funciona a empresa.
Para isso, João Carlos emitiu cheques no valor total de R$ 13 mil para Sandro Lima investir na campanha eleitoral de 2008. Depois de embolsar a propina, o vereador teria apresentado o empresário a Márcio Tupy, que recebeu R$ 20 mil.
Procurado pela reportagem, o prefeito não concedeu entrevista. Tupy diz ser inocente. “Fui intimado na condição de testemunha”, alegou. O vereador Sandro Lima, a princípio, tentou se esquivar. “Prefiro não comentar.” Minutos depois, ele refez o contato e passou a ligação para seu advogado, Antonio Veloso Neto, que criticou a investigação da PF. “O Ministério Público até ontem não havia oferecido denúncia. Então até agora não tem nada”, declarou. Toda a documentação da Operação Cáften foi remetida para análise do Ministério Público (MP).