terça-feira, 24 de março de 2009

Caminhos para o crescimento

Desenvolvimento, expansão e integração! Palavras que desde tempos imemoriais norteiam os caminhos das civilizações de todo o mundo! Palavras que passaram ao longo de séculos ou mesmo de milhares de anos por diferentes diretrizes desde a guerra e a escravização, até ao crescimento econômico e suas novas e ultramodernas maneiras de dependência.
A monumentalidade e os grandes discursos, monumentos da fala ou da escrita, desde muito também estiveram associados a essas palavras. Para convencer todo um povo a se esforçar em prol de uma nação, são necessários discursos fortes e exibições de poder, a menos é claro quando o povo funciona como uma grande família, o que não é, habitualmente, o aspecto das chamadas civilizações urbanas.Palácios, pontes, torres, templos e por que não também estradas, tem sido desde a Antigüidade, exemplos de reflexos de discursos poderosos pautados em desenvolver, expandir e integrar civilizações, e o mesmo tem valido também às cidades, mesmo pequenas! Crescer, ser diferente do que é, exige todo um esforço coletivo, para não dizer monetário, em prol de metas até então inatingíveis.
Trazer indústrias, criar empregos, movimentar dinheiro, e para tanto, fazer estradas, integrar a malha viária urbana às malhas das cidades maiores, hegemônicas, às capitais dos Estados, ou às grandes metrópoles regionais, eis o mesmo que já faziam os Assírios, Persas, Macedônios, Romanos, ou nas Américas, os Incas, entre outros, quando criavam caminhos e rotas fluviais ou por terra, para acelerar a integração comercial, e ao mesmo tempo, facilitar a comunicação com outras instâncias governamentais ou da autoridade social em geral.
Estradas, ruas, pontes.... tem sido o principal discurso desenvolvimentista da humanidade desde o passado mais antigo, desde o primeiro momento em que uma canoa foi esculpida em madeira, ou uma trilha foi aberta em uma floresta. Ao longo da história do Brasil, veremos inúmeros presidentes, ou mesmo os antigos imperadores, ainda que com algum conflito com Mauá e outros, estimulando o desenvolvimento desse tipo de integração física: melhores estradas para as melhores carruagens, e depois, para os novos automóveis, ou melhores ferrovias para suportar o crescimento econômico, evoluindo do transporte de gente e café, ao de compostos mais pesados como os minérios!O desenvolvimento viário, seja por água, terra ou ar, tem repercutido as alterações tecnológicas, e produzido mediante essas, as alterações econômicas e sociais derivadas dessa mais rápida e mais intensa integração! No entanto, se por um lado, muitas civilizações do passado pensaram essa importância das redes viárias de uma maneira talvez mais prática em relação às rotas pré-existentes, e o mesmo tenha se repetido muito mais tarde ao longo da Era das Grandes Navegações, na qual as novas rotas não excluíam as mesmas metas, os mesmos destinos, no caso Índia e China, ainda que pelo avançado caminho das caravelas e veleiros, por outro lado, apenas na Idade Contemporânea, a atual, essa atitude tomou caráter ideológico, associando-se ao ideário progressista tanto de Esquerda quanto de Direita. Enquanto a Esquerda seguia diretrizes de um sistema planificado com base em espectativas de alteração social, a Direita, produzia um sistema livre, esperando que a diretriz da liberdade alterasse a sociedade! Uns restringiram e os outros abriram, mas ambos fizeram estradas, ferrovias e melhoras urbanas, ainda que referentes às suas alterações tecnológicas.No Brasil, podemos citar três governos como profundamente desenvolvimentistas: Dom Pedro II, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Desses três, dois, enfatizaram as redes viárias e a monumentalidade urbana: Dom Pedro II, ao estimular as ferrovias e também outras tecnologias de comunicação como o telefone e o telégrafo, e Juscelino Kubitschek, ao estimular a construção civil estatal, inclusive realizando o antigo sonho tático dos portugueses colocando a capital do Brasil em áreas interioranas, afastada de tiros de canhões e invasões de corsários e estrangeiros em geral, como já ocorreram às cidades de Olinda e Rio de Janeiro em tempos Coloniais, ainda que em pleno advento dos caças a jato tenha feito uma cidade toda plana sem uma única torre antiaérea, mas nem tudo é perfeito, não é? Já Getúlio, destacou-se por priorizar a indústria, em particular as siderúrgicas, os recursos fósseis como o petróleo, criando a Petrobrás, a Usina de Volta Redonda, e tantas outras medidas estratégicas de uma época de guerra e pós-guerra em que a energia já era vista como a nova via do desenvolvimento.
Não é a toa que hoje o Brasil figura como uma das nações mais avançadas do mundo em energias alternativas, desde a energia solar, eólica, das ondas dos mares, ou o biodísel, até a conceitos mais avançados como os biodigestores de biomassa, a energia nuclear ou ainda a inovadora energia do plasma, o quarto estado da água, que grande parte da população, por falha talvez das diretrizes educacionais brasileiras, nem sequer sabe que existe, mas já movimenta os Tokamak, reatores de plasma, a muitas décadas!Foi no século VI A.C quando Roma começou a solidificar sua república, que se tornaria Império com Otávio Augusto, no ano 27 A.C, e não com Júlio César, que nunca foi imperador mas sim ditador, que essas diretrizes desenvolvimentistas se solidificaram melhor em termos de estímulo a redes viárias! Os romanos foram ao longo de séculos criadores de uma malha viária terrestre tão ampla, às vezes até mesmo desviando água em aquedutos, que ainda aos dias de hoje podemos ver suas vias praticamente intactas, reflexos de uma tecnologia muito aquém das avançadíssimas técnicas de engenharia civil atuais, e de maneira um pouco similar, também a chamada Estrada Real, se preserva quase intacta, em muitos de seus trechos, apesar do passar dos séculos.
É indubitável que o conhecimento dos dias de hoje é muito mais sofisticado do que o dos portugueses de tempos da Colônia ou do Império, ou ainda, de povos antigos como incas, romanos, persas, e vários outros que em outros passados criaram vias que ainda aos dias de hoje estejam inteiras!Então poderíamos questionar como, justo aos dias de hoje, é possível vermos estradas facilmente rompidas por chuvas, nem sempre intensas, ou barrancos sem contenções, quando não ruas dentro do perímetro urbano desprovidas de passeios, ou com calçamentos incondizentes com os carros dos dias de hoje? Teria a administração pública parado no tempo, sido atropelada pela história, senão até ter retrocedido a uma tecnologia aquém sim da dos romanos antigos, que mesmo fazendo suas vias com cimento, o qual é uma de suas invenções, e outras argamassas muito mais frágeis que asfalto, no entanto, resistiram a séculos de tropas passando por cima, ao avanço das tecnologias, ao peso de novos veículos e novas armas, canhões, tanques de guerra, e os carros de hoje em dia, e mesmo, capazes de resistir a terremotos, enquanto nossas moderníssimas estradas licitadas de asfalto não resistem uma uma simples chuva de verão?!Estaria a administração pública retrocedendo nas diretrizes essenciais da civilização humana ao neglicenciar a necessidade de acesso entre distritos e a sede, ao permitir ainda existirem estradas de terra em um tempo regido pelos carros hidramáticos com dois ou três combustíveis, e não raro, importados ou dotados de tecnologias importadas de países como, por exemplo, os da Europa aonde malhas viárias já são pavimentadas desde o período Renascentista, em alguns lugares desde a Antigüidade Clássica?
Alguém deseja passear com seu Honda em uma estrada de Terra para testar se a suspensão japonesa agüentará o tranco? Ou ainda, estará na garantia de tais peças tamanha condição extrema?É preocupante por exemplo a falta de acesso asfaltado de São Sebastião das Águas Claras à sede de Nova Lima, e curioso perceber que seu acesso a BH, é asfaltado! É curioso perceber que embora no Império Persa há muitos milhares de anos atrás, o correio fosse veloz a cavalo e com grande qualidade, que hoje se extraviem cartas porque dados essenciais como CEP ainda não sejam próprios para cada rua, em uma cidade em que há ruas com mesmo nome! É alarmante ver ruas íngremes com bloquetes, deixando o mato crescer entre si, ao invés de se usar o asfalto aderente, brilhante tecnologia dos tempos contemporâneos, trazendo assim não apenas custos agregados às tarefas públicas com suas capinas eternas, como também inferindo riscos de capotamentos, como já houve na rua Independência, Centro, rua na qual aliás as violações de trânsito são diárias, enquanto em tempos coloniais, teriam sido punidas com extrema intensidade. Curiosamente, o asfalto aderente também seria a solução passiva para essas, uma vez que tornaria a subida na contramão progressivamente dispendiosa aos infratores. Haverá a administração pública esquecido de zelar por seus cidadãos?Dizem os historiadores, que quando uma civilização apresenta situações incondizentes com desenvolvimento, expansão e integração, que essa, certamente, estará caminhando para o seu declínio! É isso que esperamos para a nossa cidade?
Aonde estará o erro? Certamente isso é incompreensível em uma Era de lançamentos aeroespaciais, em que o Brasil foi coautor da sonda Corot, a mais avançada sonda de busca de vida inteligente fora de nosso Sistema Solar, em que o Brasil brilha com louvor na Medicina Genética, na Biotecnologia, na Engenharia de Energias, e mesmo na Construção Civil, sendo Minas Gerais aliás sede de algumas das maiores referências acadêmicas nesse segmento, o que bem sei, tendo em vista que meu próprio pai está entre as maiores autoridades engenheiras de nosso Estado e do Brasil, como um dos poucos doutorados em Materiais de Construção, com estágios em algumas das maiores empresas da Europa, continente em que erros de infraestrutura costumam ser lamentáveis, e como várias vezes diretor e reitor de faculdades do setor, entre vários outros cargos e funções no CREA-MG ou na ABENC, entre outras entidades e departamentações! E nem preciso recorrer aos seus comentários, pois a história fala por si só.Será culpa talvez das licitações não estarem priorizando quem melhor tecnologia possua? Ou será culpa dos fornecedores de materiais, o fato da nossa estrada comunicante entre a sede e BH ainda estar, mesmo após grandes períodos de sol quente, parada, caindo? Se estará esperando qual estação do ano chegar para se iniciar as obras? Talvez se tema outro terremoto como o que assolou Macacos há alguns anos atrás? Mas os Romanos, mesmo com o exemplo de Pompéia, não deixaram de fazer cidades sob vulcões...

Não, meus caros leitores, não! A culpa real está em nós! Sim, nós cidadãos, a cada momento em que nos calamos, em que deixamos de comparecer a reuniões orçamentárias, em que deixamos de protestar com faixas, apitaços e quais outros recursos, em que deixamos de manifestar pelos caminhos que a democracia nos dá para sermos zelados em nossa segurança, certos de que nenhuma pedra acertará nosso carro ao cruzarmos entre montanhas, zelados em nossa liberdade de ir e vir, certos de que a estrada jamais cederá, ou que poderemos ir a São Sebastião das Água Claras, sem termos de sujeitar nossos modernos carros do século XXI à tecnologia viária da Idade Média! Mas mesmo na Idade Média, o rei, era regido pelas regras de honra de suserania e vassalagem, o que traduzindo em miúdos significava que tinha obrigação de zelar pela segurança de seus súditos! Você deseja mudar o mundo? Comece por si mesmo: se está cego para as coisas do mundo, passe a vê-las e busque entendê-las! Se está mudo na sociedade, ora, solte sua voz, hoje em dia a internet nos permite vários meios legais para isso, desde comunidades, grupos de discussão e fóruns, até blogs e sites! Se está surdo e não consegue ouvir soluções, limpe seu ouvido dos interesses particulares e passe a ouvir em prol do bem de todos, você também sairá ganhando, afinal, você é um de nós! Esse sim é o melhor caminho para o crescimento: um cidadão consciente!
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Gustavo Paula "Xamã", Cientista: Historiador Estrutural & Cientista Cibernético, MBA em Gestão Pública e Responsabilidades Fiscais. URL: http://www.arqueomundo.com.br/ . Diretor Científico da Clio Museu de Cultura Material, Nova Lima - MG.

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